quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

..a vontade do ser real. (parte 3) [fragmentos]

..ela não tira os olhos de mim. Eu sinto aqueles pontos verde-esmeralda, que brilham estranhamente em vermelho vivo, me devorarem a cada segundo que o sorrizo macabro começa a tomar conta daquela face tão perfeita. Sua pequena boca abre em um rasgar revelando dentes brancos e regulares, nada de caninos a mais ou um sorrizo de tubarão... realmente esses seres podem nos seduzir com mais facilidade do que se consegue beber um copo de água. Me pergunto se todas aquelas histórias da bíblia, dos filmes e até dos relatos que se ve por aí em algum documentario são mesmo reais.

- Nem todas. A grande maioria são apenas os da 'pequena laia' se divertindo com vocês. Os de grande porte não se interessam em fazer algazarra, eles são estrategistas e não gostam nem de aparecer.

Uma subta expressao de duvida toma meu rosto e ela continua

-... o que? Ainda não aprendeu que consigo ler sua mente? Christian.. você demosntrava ser mais esperto.
- Sempre me esqueço. Sabe, ter um ser como você na minha frente não costuma ser muito nem o ápce de algum dia meu. As vezes ainda acho que estou sonhando.
- De certa forma está. E vai acordar em pouco tempo. Como sabe, sempre que sonha com este encontro, com a cidade ou com esta encruzilhada, você sempre desperta no momento que faz o pacto. Ou estou errada?
- O que? Isto é outro daqueles sonhos? ... ah! Droga.. e onde diabos eu estou dessa vez?
- Você está no quarto de hotel depois de uma farra bem pesada. Foi beber para tentar esquecer o que tem passado denovo e, como de costume ao dormir, sua mente se responsabiliza para que venha até mim logo. Estou cançada de esperar.
- Mas... mas... não me diga que quando eu acordar, como quase sempre acontece, eu quase não vou lembrar do que aconteceu no sonho e so vou ter uma sensação forte me mandando vir para essa cidadezinha de interior e procurar essa encruzilhada?
- Basicamente isso.
- Então.. o que acontece agora?
- Bem, esperamos você acordar ou aproveitamos o resto desse sonho que você sabe que esta acontecendo. É raro conseguir saber que está sonhando e permanecer no sonho. E geralmente quando se consegue, se pode controla-lo, é o que dizem.
- É verdade! Agora eu devo conseguir fazer o que eu quiser! Estou controlando meu subconciente! Não posso perder essa chance...
- E o que tem em mente?
- Vamos entrar no carro e ir para a cidade. Tem coisas que eu sempre quis poder fazer e, como se sabe, há coisas que fazem com que me torne um criminoso por faze-las.

Um sorrizo ainda mais macabro rasga a face de Lucibelli e por um instante eu acho que ví a deformidade de sua verdadeira forma. Mas logo aquele desejo retorna à máscara impecável de minha vontade e fica ainda mais bela com a risada que não contem nem um pouco na noite que estava apenas começando.
Ao ir abrir a porta do motorista a paro segurando sua mão ao se fechar na maçaneta dizendo:

- Ã-ahn... eu dirijo.
- Você acha que vai dirigir o meu carro? Acha que aguenta?
- Minha cara.. posso tudo. - e agora a minha cara que foi rasgada por um sorrizo, provavelmente macabro, pois minha mente fervilhava com tanta vontades e malevolencia que me sentia outro. De certa forma, até me sentia liberto.
Alguns segundos a me encarar e com outro sorrizo a me atiçar as calças, Lucibelli cede e cruza os braços por um momento, me analiza e se vira, indo contornar o carro, mas não antes de me dar um leve tapa no trazeiro, que me fez virar rapidamente para trás a tempo ver seus olhos de desejo e luxúria a brilhar.

- Só não capote.
- Não vou mentir que isto é uma das coisas que me passa em mente fazer.
- Quando fizer isso, vai acordar.
- Eu não disse que seria uma das primeiras.

Ambos entramos no carro e fechamos as portas. Por algum tempo eu fiquei simplesmente a sentir aquela máquina. Parecia com um Shelby GT500 mas tinha algo diferente.. não era customizado mas não era original. E além da aparencia, ainda se podia sentir o carro. Como quando se está em sintonia com um pessoa que você acaba de conhecer.

- Vamos, dê partida na Christine.
- Sério que seu carro chama Christine?
- E por que do espanto?
- Bem.. á deixa pra lá. - com isso o ronco do motor ensurdeceu qualquer palavra que poderia ter sido dita depois e então, após deslizar um pouco na terra e grama pela potência da aceleração daquele monstro de 4 rodas, a estabilidade foi recuperada e o demônio metálico azul marinho dispara em direção à cidade.
- Assim que eu gosto. - disse, inaudivelmente, Lucibelli com uma branda expressão de felicidade no rosto a lançar, algumas vezes, olhares para mim pelo canto do olho e abrir um pouco mais o sorrizo quando voltava a olhar para nosso destino.
E uma dúvida me veio de leve e logo sumiu de minha mente: como assim 'de certa forma' estou sonhando?



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demorei mais voltei ao conto.
serio, to curtindo demais ele.
até a parte 4.
o/

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