"... uma brisa fria passa por todo o campo. Alí não mais havia ninguém, pelo horario, pelo dia, pela situação. Abandonado. Aquele terreno era visto como um local muito perigoso e maléfico. As pessoas, mesmo as que não acreditavam nas supertições e chamavam mentiras, evitavam ir lá, ainda mais neste exato ponto. Bem, tenho meu motivo e está é uma de minhas últimas opções e a que talvez menos me prejudique depois de tanta coisa.
Novamente sopra um movimento frio fazendo balançar a grama alta e algumas folhas que ainda restavam em uma arvore quase seca perto do que antes era um matadouro.
Me canço de ficar sentado e estico as pernas antes de deitar para espreguiçar um pouco. A vista ali era boa, as luzes da cidade mais próxima refletiam no céu fazendo um clareamento místico perto das montanhas que se atravessava para chegar lá. Mas isto apenas melhorava o prazer de se observar o céu. As estrelas, muitos pontos grandes e piscantes no manto negro da noite do campo estavam todas lá, até mesmo as que já se extinguiram. Observo a Lua que estava em seu ápce mensal, a namoro em sua perfeição brilhante a ofuscar-me. As nuvens cinza-escuro que fingiam querer a cobrir e me privar de sua beleza apenas tornavam mais perfeita aquela cena.
E então, um corvo cruzou minha visão e pousou no meio da estrada. Mais negro que a própria escuridão e com olhos brilhantes e faiscantes a me fitar e me por em dúvida e anseio.. e confesso, um certo medo. Me levanto e chacoalho a poeira e gramas de minha roupa e braços e me ponho a caminhar em direção da criatura que não tirava seus olhos estarrecedores de mim. Seria medo que sentia também? Duvido, pois não se move um centímetro se quer enquanto me aproximo. A poucos passos, grasna uma vez ameaçadoramente e eu paro. Começa a movimentar a cabeça, mas ainda a me examinar com seus olhos. Grasna novamente, ainda com o mesmo tom e petrifico, o que era aquilo? Ainda a me examinar, começa a se aproximar com saltos rápidos e algumas batidas de asas e quando esta a quase um metro de distancia, grasna, mas de forma convidativa, se é que algo assim pode ser possível. Mesmo assim, estou paralizado. Percebendo que não irei me mover, a ave alça voo e pousa em um toco na esquina da interceção das ruas, algo como o que seria uma cerca um dia, e parece começar a procurar ou esperar por algo. Algumas vezes volta a me fitar e lançar o mesmo grasnar convidativo.
Logo consigo voltar com os movimentos das pernas e então vejo que o horario está quase a finco para o que vim fazer aqui. Começo a entender tudo e volto a ir em direção ao corvo, pois era por ali também que concluiria meus negócios.
A alguns passos da ave novamente, ela se vira e me olha fixamente como da primeira vez, mas solta um grasno de aparente afirmação e, eu posso jurar, que a vi sorrir. Sem entender direito aquilo, me dirijo para o centro da interceção, retirando alguns papeis de meu bolso e começo a arranhar no chão os simbolos que estavam neles. Pego algum mato seco e a uma casca da árvore que mencionei antes e entro no matadouro. Procuro e encontro alguns ossos e, por sorte e incrivel espanto, alguma carne podre ainda com sangue. Parece que ainda frequentam este matadouro para sabe-se lá que tipo de abate, mas me foi bem útil.
Coloco tudo como descrito nas informações que consegui e entoo as palavras da melhor maneira que consigo. Me sinto um idiota por algum tempo mas prossigo, acendendo o fogo e queimando os itens coletetados para depois, fazer um pequeno corte na mão e dizer as ultimas palavras que creio significassem "este sou eu o invocando". Deixo algumas gotas cairem no fogo que ardia de forma bem peculiar e com uma coloração um pouco diferente da normal.
Aguardo instantes antes de começar a perder as esperanças de ser verdade tudo que pesquizei e, quando eu começava a querer chutar tudo aquilo e me bater por ser tão ingênuo, a ave grasna atráz de mim, o que me faz virar rapidamente e quase perder o equilibrio que foi perdido quando a ave pulou e voou ao meu encontro, me fazendo cair em cima do fogo e desesperar para sair daquilo antes que começasse a virar uma labareda.
Amaldiçoando a maldita, me levanto com o intuito de esmagar sua cabeça com uma pedra ou pedaço de madeira mas não a encontro. Só encontro, para meu espanto, uma pessoa escorada no mesmo toco de madeira onde a ave estava pousada. A pessoa sorri e gargalha um pouco e logo começa a falar com a voz mais aveludada e imponente que já havia escutado em todos os meus 23 anos de vivencia:
- Ora meu caro rapaz, não pude me conter em lhe assustar daquele jeito. Estava mais do que óbvio que eu ja estava aqui.
Sem entender nada, tive intuito de continuar o dialogo e descobri que precisei fazer algum força para conseguir falar... parecia que eu estava, de certa maneira, sendo enfeitiçado...:
- Como assim? Não vi você e nem foi você que me assustou, foi um corvo que estava aqui e de certa fugiu depois daquilo.. acredite ou não acho que aquela ave não era comum.
O que disse fez rir aquele ser que estava em minha frente. O estranho era que não conseguia decifrar ser homem ou mulher, pela extrema beleza que emitia.
- De certa agora tenta decidir se me chama de "João" ou de "Maria" correto? Meu caro.. sou como desejo ser, assim como antes era o corvo e posso ser como você desejar que seja. E como seria?
Ainda confuso, não sei por que as palavras "da forma que melhor achar que minha mente queira para a ocasião" sairam de minha boca, pois posso garantir que não pensava em dizer nada, quanto mais algo tão estranho como isto.
- Pois bem. Mulher, bonita, com o corpo ideal, sem seios grandes demais, sem quadris grandes demais, morena, olhos verdes, cabelos lisos e negros na base dos ombros e um pouco menor do que você. Manterei a voz, sei que não se importará.
Mais amendrontador e espantoso do que tudo que ja aconteceu ate agora, foi o que eu via se tornar exatamente o que foi descrito e mesmo assim nao parecer que em momento algum foi diferente daquilo. Consegui organizar algumas palavras e, estas sim, disse:
- O que é você?
- Agora vai começar a questionar tudo? Agora que mais do que claro está que você não é ingenuo e não é o idiota que a pouco estava se condenando a ser?
- Quer dizer que... é verdade?
- Bem, se não for, ou você está em um belo porre ou se entregou às drogas pesadas, pois isto aqui é uma alucinação das mais reais.
- Então.. então, posso ter o que quero?
- Bem, isto que iremos descobrir e negociar. Sei que quer muitas coisas e sei as que mais deseja. Também sei que não serão estas as que você vai me pedir.
- Como? Minha mente é tão aberta assim?
- Não tanto, mas quando você esta sendo tão investigado assim, depois de tantas décadas sem nem acreditarem que você é real, bem, você segue quem está tão ávido assim para se condenar.
As ultimas palavras me estremeceram. No final, era exatamente aquilo que estava procurando e fazendo, mesmo sendo para escapar de outro condeno que me encontrava.
- Então, devemos começar com as ofertas? Você quer ver o quanto consegue comigo ou vai mesmo direto ao ponto?
- Bom... nunca fiz isto e não conheço muito o que pode ser arranjado. Como funciona?
- Como qualquer negociação. Dê sua oferta e vejo como a arranjo.
- Bem, então...
Muitas coisas me vem em mente, até coisas que não queria.. quando começo a ordenar os pensamentos e as coisas que seriam mais importantes, conseguindo com custo tirar luxúrias e prazeres de serem opções principais, vejo que Lucibelli ria de mim. Parece que ela que estava jogando estes desejos em minha mente, assim como jogara seu nome.
- Você sabe que mesmo sendo eterna eu não tenho todo o tempo desta noite certo?
- Tem outro acordo a fazer?
As palavras saíram sem pensar e sem intuito de zombar, mas o demônio pareceu não gostar.
- Vai realmente zombar de mim em plena negociação? Quer realmente receber menos do que poderia valer sua alma..
- O que? Não! Não falei zombando.. te juro.
- É. Parece que sim. Estes tempos estão bem escaços e a falta de respeito pelo desconhecido e místico tem me deixado bem... á, deixemos isto de lado. decidiu o que vai ser?
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amanha darei prosseguimento, acho que esta história vai render bons 3 posts.
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