"..ainda permaneço a correr, sem ao menos ter uma trégua para descançar minhas pernas onde os musculos ja se dissolviam em um misto ácido e magmatico a queimar por debaixo de minha pele.
Então, enfim paro em uma esquina.
Olho intrigado para trás e rapidamente para os lados e para frente novamente, voltando a me preocupar com a retaguarda.. afinal, de lá vinha e de lá provavelmente me alcançaria.
Respiro com dificuldade o ar quente da noite de verão.. tentando recuperar o folego e pensando se devo tomar uma rota diferente para despistar minha trilha, pois assim seria mais facil de ser encontrado.
Logo ouço um barulho vindo de minha esquerda. Um estalo e um chacoalhar de galhos vindo do topo de alguma das arvores que escondiam o céu e o topo das casas naquela rua. E então o vento trouxe um cheiro estranho, algo como lavanda e mel mas não havia nada daquilo por ali.
Então me pus em disparada novamente, sem ao menos tentar decifrar onde eu estava.
Continuei correndo, sem ver nem ao menos uma
viva'lma para perguntar informações ou pedir para que me explicasse o sentido daquilo tudo. E então eu corri mais.
O passo foi reduzido pelo cansaço extremo que eu começava a sentir... estava naquilo a quanto tempo? Quarenta minutos? Uma hora? Duas?
Descanços rapidos de nem ao menos 3 minutos e logo tinha de correr novamente com medo de ser apanhado.. medo de ser preso, medo de ser descoberto. Medo.
Nem animais estavam ao menos dormindo pelos caminhos que decidia ir. Não via nenhum nem correndo de mim nem correndo para mim, para se defender de algum ataque desse maluco que aparecia correndo por ali, que não se sabia se poderia ser a vitma ou o atacante.
Algum momento tive um embaralhamento da visão e minhas pernas trocaram de sentido, não se entendendo e se colidindo. Meus pés seguiram a 'invontade' das pernas e um chutou a panturilha de outro, me fazendo tropeçar e tentar recuperar o equilibrio por alguns metros, até que eu acertaria minha face em uma placa de sinalização, bem na verdade no poste de ferro em que ela estava presa, e com isso cai ao chão atordoado e desonrientado. Devo ter até apagado por alguns segundos (roguei para que não tivessem sido nem um minuto) e então me sentei para tentar entender o que acontecia.
Levei a mao à testa e vi que tinha ganho uma nova abertura no corpo, mas como nao era natural, dela saia o sangue para que fosse fechada. A dor estava latejante mas começava a passar, mas não a zonzeira. Me curvei para tentar tomar o controle do cerebro denovo e comecei a fechar os olhos, com cuidado para que não adormecesse denovo.
Acordei alguns minutos depois (rezando para que não tivesse sido uma hora) e o silencio estava mais paranoico do que antes. A quietude me deixava apreensivo de um modo que se uma folha caisse de uma arvore eu consegui sentir sua trajetoria.. e então me pus de pé. Perdi o equilibrio devio a falta de sangue no cerebro por levantar rapido demais, mas logo recuperei os sentidos completamente e comecei a olhar em volta para tentar perceber qualquer coisa que fosse.
Notei que as casas todas tinham muros e nenhuma tinha cerca. Muros altos com portoes eletronicos. Nenhum predio. Arvores aleatorias pelos passeios, grandes e com folhagem cheia. As ruas tinham um padrão de quarteirões iguais e regulares, eram planas ate onde conseguia enchergar.
Comecei a caminhar e pensar em tudo.
Eu estava longe de onde começara a correr.. não entendia muito mais do que acontecia, apenas sabia que tinha de fugir o mais rapido que conseguisse e não podia vacilar e deixar-me ser pego.
Parei, me arqueei e sentei um pouco. Minhas pernas estavam doloridas e nem sentia meus pés dentro dos tenis. Meu peito ardia a cada respiração e expiração. Meu cerebro parecia que entrara em pane. E a testa ainda doia mas não estava sangrando ao menos.
Então me lembrei. Estava voltando para casa quando ouvi um barulho estranho e algum tipo de grunhido ou rosnado terrivelmente pavoroso e então comecei a correr e então sempre que eu ia parar, sentia algo a me observar e sentia um cheiro estranho e a calmaria sempre piorava tudo.
Agora que penso, não deve ter sido nada demais. Provavelmente algo de minha imaginação.. melhor eu voltar para casa. Parece que estou perto do centro, então posso pegar algum onibus de la e vai ser mais rápido.
Ao chegar no ponto, o onibus nao demorara muito e entao segui para casa.
Até que o onibus fez uma curva em alta velocidade e colidiu com algo emitindo um barulho sinistro de ranger de metal e vidro quebrando. Não percebi muito e nao tive muito tempo de reação, acabei por bater com força a cabeça e nao entendendo mais nada.. quando me vi estava andando quase chegando em casa...
...e eu acabei de ouvir algo muito estranho.. melhor começar a correr."
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