"... mais um trago no cigarro velho e amassado que a muito tinha deixado de ser meu vicio, mas retornou para mais uma temporada de baforadas e falta de fôlego..
..em seguida o gole no copo de whisky quente e barato que consegui encontrar a esta hora da noite, logo após ter terminado com a garrafa de Jack Daniels que foi sequencia da Black Label...
..a vida gira em um eixo confuso à minha volta, não sinto ser o centro de minha existencia. Entorpecido e completamente alterado pelas horas passadas ingerindo o que conseguia encontrar para me anestesiar psicologicamente. Mas não deixando de passar antes, da anestesia fisica. Busco mesmo a negação moral.
Tudo isto tem a culpa de apenas uma razão: o sentimento.
A causa máxima de qualquer auto-flajelo. Em meu caso. Buscando entender e querer apagar ou destruir algo dentro de mim, ou a mim.
Ultimo gole com a ultima fumaça contida, a ser exalada.. um sabor estremecedoramente ruim. Uma solução fatalmente estúpida. Uma escolha desesperadamente fraca.
Já sinto meu cerebro se decompor pelo alcool excessivo e tentando se proteger da nevoa toxica que invade o organismo.
E penso nela.
Um misto de raiva e saudade toma conta e então arremesso o quinto copo na parede. Seus estilhaços se juntam a poças de bebida e gimbas de cigarro e também a outros ex-copos, agora em pequenos pedaços espalhados no chao da sala.
E começo a tentar lutar. Lutar contra aquilo tudo. O torpor do momento, o entorpecimento da alma e a saudade e raiva da razão disto tudo.
Eu não entendo o porque.Eu não sei o motivo. Eu quero escrever.
Com muito custo consigo chegar ao computador
e abro o bloco de notas e começo a martelar letras e palavras incompreensíveis, sem habilidade alguma, mas logo tomo o jeito e o texto começa a fazer algum sentido.
Escrevo sobre o que passei, o que gostaria de ter sido, o que esperaria que fosse e uma fantasia qualquer. Nesta melancolia, minha criatividade é explendida... não é atoa que eu acho que procuro sempre ser ferido dessa forma, para poder escrever melhor.
Sem perceber, as horas passam e o entorpecimento diminui enquanto as paginas vão aumentanto e a historia vai ganhando um rumo, um motivo, uma narrativa, personagens, intrigas, conflitos, romance...
..o dia raia e ainda estou a escrever. Provavelmente completamente sóbrio no momento. Paro e vejo quanto foi. 237 páginas. Sete horas de trabalho. Penso que na revisão provavelmente quase metade vai ser cortado para a coesão e as palavras erradas serem corrigidas.
Então, levanto e vou comer algo, afinal, minha refeição de dias foi tabaco e bebida.
Preparo um café e frito queijo e o pão.. tentando me relembrar de tudo do desespero e amargor que se passara. Sei que muita coisa está no texto que compus.
Lembro dos momentos felizes, das brigas, das brincadeiras, das frescuras, da desconfiança.
Amanda realmente foi especial. Lembro de como nos conhecemos, algo que não era para acontecer pois não ia no bar que ela estava e ela também não estava com vontade de sair naquela noite.
Nossos olhos se encontraram em um momento e então um não conseguia parar de lançar olhares para o outro durante bastante tempo.
Entao, por acaso ou sorte ou o que for, nos esbarramos no caminho do banheiro e acabamos por conversar ali. Mas só ali.
Voltamos para nossas mesas e não nos vimos ao ir embora.
Três dias depois, nos encontramos no cinema. Eu sentei do lado dela sem perceber e, quando meu celular caiu no chao quando fui programar para 'silencioso', você o pegou e me entregou. Entao nos percebemos... e não vimos o filme.
Daí para frente parecia uma historia romantica, como praticamente todo inicio de namoro é. Então se tornou oficial nossa exclusividade um com o outro. E as coisas foram ficando mais sérias.. e as brigas começaram.
Meu trabalho estava parado, não estava conseguindo escrever nem compor.
Comecei a ficar irritado com aquilo pois meus prazos estavams e esgotando.. tentei consiliar tempo mas sempre extrapolava pois não conseguia nem sequer um paragrafo. E então você começou a discutir.. a querer pensar, tomou um "tempo" e então... as coisas começaram a acontecer.
As duvidas, intrigas, desconfianças de ambas as partes.
Mais suas que minhas. E de repente, você não estava mais por perto. E caí em depressão. Uma semana. E nos ultimos dias, quase morri.
Um pouco engraçado, pois se parece com meu ultimo livro.. e meu ultimo relacionamento também não terminara bem.
Percebi que mesmo pensando nisto tudo eu estava devolta ao computador terminando a obra.
Um livro em um dia, praticamente. 573 páginas em treze horas quase ininterruptas de escrita. Sem revisão, claro. Mas calculo que deste grosso, reste quatro quintos com nexo e coesão prontos para divulgação.
Mais uma obra... e menos uma pessoa em minha vida.
Bem.. acho que irei ligar para Carla e contar tudo.. ela já havia me procurado na semana negra que passara... e estávamos nos dando bem ate quando eu ainda estava com Amanda.. o que foi um dos motivos da briga começar..
..bem.. acho que Carla vai aceitar tomar um café.
Quem sabe um cinema amanhã?"
inspirado no texto: Volúvel http://ovitriolo.blogspot.com/2011/03/voluvel.html
de Luiz Fellipe Coutinho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário