-19:45
Correndo nas ruas, desesperada atrás de algum abrigo, algum refúgio.. finalmente encontrei um posto de conveniências e me esgueirei pelas tábuas mal fechadas que barravam a porta, soltando alguns pregos que ja estavam enferrujados, mas ainda tentando manter o máximo da proteção que aquele lugar me concederia. Entao, silêncio..
..calmaria...
..quieto.. quieto até demais..
Fiquei parada ali, sem nem ao menos respirar, pensando se eu tinha me livrado dos rastros que conduziriam todos até ali. Fiquei imaginando se sentiriam meu cheiro, o misto de meu perfume com o suor e medo. Rezei para que eles não sentissem nem percebessem nada e para que passassem direto pensando que eu ainda coninuei a fugir desembestadamente deles, sem pensar em me esconder.
E rezei..
..rezei para o tempo não continuar tão devagar assim, pois para mim pareciam minutos o que eram apenas segundos.. mas a adrenalina corria solta em meu organismo, acentuando toda minha percepção ao máximo e fazendo parecer que
tudo passa em camera desacelerada.. quase camera lenta.
Em meio a esses pensamentos, um barulho fez com que eu quase gritasse. Parece que a madeira da qual o prego se soltou, acabou por ceder e cair no chão.
Não. "Não" eu supliquei a qualquer divindade que prezasse por mim, que tivesse piedade e que fizesse aquilo passar por despercebido.
Então observei a porta, inquieta e tremula de tanta ansiosidade, de tanta frustração e esperança..
..e observei.
-20:27
Quando me dei conta, minhas pernas ja estavam latejando e as mãos dormentes de ficar agachada por detrás do balcão da drogaria do lugar, atenta apenas à porta e nada mais.. minha respiração ja havia se regularizado, o suor secado, a queimação nos músculos esfriado. Então, decidi me erguer e ver a situação do local. Tentando ao máximo evitar cacos de vidro e prateleiras bambas para não fazer mais barulho, rastejei pela loja para ver se encontrava algo para me hidratar ao menos, mesmo parecendo que este lugar foi abandonado a muito tempo e que já passaram pessoas aqui na mesma situação que eu aparentemente. Não custaria nada procurar.
Que erro. Se eu tivesse percebido os detalhes..
..enquanto procurava, não percebi que o último refugiado ainda estava ali dentro, pois as janelas ainda estavam vetadas com as tábuas que ele pregou para manter aquelas coisas lá fora..
..mas eu estava muito preocupada com meu cheiro e em não fazer barulho. Então, quando me curvei para pegar uma bebida dentro do freezer que milagrosamente estava ligado, ouvi um estalo de vidro quebrando e me virei muito rapidamente para tráz, escorregando e perdendo o equilibrio ao ver aquela figura horrenda e podre a me encarar e vir em minha direção, sem emitir som a não ser seus passos arrastados, pois sua garganta estava cortada e apenas o ar saia de onde deveriam estar as cordas vocais. Provavelmente ele se matou com aquela faca que esta em sua mão e que perfurou minha barriga enquanto eu tentava me levantar e correr.
Então novamente o tempo pareceu se estender. Tentei correr após uma breve luta com cortes e escoriações, nada grave como a primeira facada. Mas não desisti, nunca iria desistir, agilmente chegei à porta.. que estava vetada quase completamente. Comecei a me esgueirar em desespero para sair e quando estava conseguindo, minha perna foi agarrada e puxada para dentro novamente. Comecei a gritar e tentar a chutar, mas minha outra perna nao passava pela abertura e então uma facada na panturrilha ardeu. E outra. E uma na minha coxa.. minha perna queimou como se tivessem ateado fogo e então eu consegui quebrar mais a abertura e chutar aquela coisa para longe do que um dia foi minha perna. Me pus a rastejar para trás daquele posto, aonde provavelmente haveria algum banheiro para me abrigar e ver quão ruim foi a ferida... fui puxada para dentro novamente. Aquela coisa era rápida.. tive de engalfinhar em combate violento desta vez para conseguir acabar de arrancar sua cabeça com a faca que estava no chão. Foi um erro ele larga-la para poder me puxar.
-21:59
Bloqueei a porta com o corpo daquela coisa e fui atras de primeiros socorros. Acabei encontrando algumas coisas na farmácia. Consegui me limpar e tratar dos ferimentos. Eu teria de descaçar um tempo ali.. torcendo para que nada mais grave acontecesse denovo. Desta vez atenta a qualquer coisa. E então, eu adormeci. Estava sonolenta demais e cançada por causa de tanta agitação e os ferimentos...
-23:40
Acordei mal, assustada. Procurei por comida e algo para beber e consegui, mas o gosto não estava nada bom. Mas era o que tinha. Novamente me escondi para aguardar alguém chegar.. não era possível que ninguém viésse.. adormeci novamente.
-00:17
Parece que vou ter de sair sozinha.. mas é melhor descançar mais. Melhor esperar amanhecer... melhor....
-03:03
....
-09:53
Em busca por sobreviventes nós chegamos ate um posto de gasolina, decidimos nos reabastecer e entramos na loja de conveniencia do lugar. Havia uma daquelas coisas morta na porta, mas não parecia ter tentado entrar. Quando finalmente conseguimos desbloquear a porta das tábuas pregadas, um outro destas coisas veio em nossa direção e rapidamente foi abatido com um tiro na cabeça.. estas coisas estão ficando espertas. Parece que estão começando a entender como usar facas.
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