Ao longe, o som dos passos em marcha das tropas podiam ser escutados sem muito esforço de cima daquela colina, nas runias do que um dia fora um forte ou um pequeno castelo, e agora não passa de parte da história.. da boa história, onde o senhor deste local era justo, compreensivo e bom. Por isso eles se encontravam ali para suas conversas, pois o sentimento de justiça ainda habitava o local, aquela sensação de que um dia, ali, pessoas dignas já estiveram, já moraram, viveram. E sempre seus encontros eram palestras, conversas e as vezes reuniões sobre o futuro que estava por vir. Mas este 'futuro' agora estava muito mais próximo, como cada vez mais o som do marchar metálico de uma aparente legião pertencente ao capitão-general Tinever, o Duque Agressor, um dia Major Cavaleiro Real das forças da Majestade, grande e valiozo guerreiro que protegeu as vastas terras de todos os
cruéis agressores e vilões contra a coroa, que ele mesmo quase perdeu a vida em um assalto direto contra sua santidade em sua corte em uma armadilha que quase fora sucedida, o mesmo que dizimou por conta própria uma vila inteira pois se opunham à sagrada palavra do rei e, que um dia, por um ato e uma indagação simples como 'estou certo?', que plantou uma pequena semente de dúvida em seus atos e em sua crença, o fizeram abandonar sua elevação rápida por gloria e habilidade de seu posto na corte, por uma revolta contra tudo aquilo que sempre batalhou e defendeu. Agora ele queria o poder total para si, para ter certeza que ele era justo com todos, que ele nao usaria uma máscara como seu antigo Senhor. E teria certeza que ele seria humano.
-.. mas lhe disse, não haverá outra chance, e nem ao menos opção! Ele confia em mim, sou sangue dele, aos seus olhos ainda sou sua irmanzinha. Sou a única que pode impedí-lo de chegar ao castelo!
- E ao preço de que? Sua VIDA! E acha que eu vou deixar isso acontecer?
- Mas é um preço a se pagar.. se eu morrer, ao menos o reino vive.. o rei vive.. e essa era de loucura irá terminar.
- Não. Não! Não posso permitir isso, tem de haver outra maneira.
- Van.. o Conselho não existe mais.. apenas nós dois ainda nos encontramos aqui depois que os outros foram assassinados por serem da Resistencia Inteligente. Nos reuníamos aqui por ser um local esquecido, porém um lugar que fora justo, mas um entre nós se vendeu e foi morto do mesmo jeito.. meu irmão é imparcial com traidores, mesmo os que o ajudam.
- E você acha que se tornará o que aos olhos dele?
- Mas se não o fizer, ele apagará tudo isso do mapa. Ele tem força para isso, ele pode ter mais força que o próprio Rei.
O silencio toma conta novamente da sala, deixando somente o longinquo tintilar metálico se aproximando quebrar a tensa decisão que estava sendo discutida.
- Susan.. tem de haver outra maneira, você não tem de morrer.
- Mas não há tempo para pensarmos! Ele chegará no castelo em alguns dias, e tenho de me apressar para não desconfiar que não estou na Torre do Norte, onde ele disse que seria seguro para mim, depois de matar aqueles que me acusaram de participar desse Conselho.. ele tomou minha palavra, pois ainda acredita em mim! Tenho de aproveitar esta chance que nos foi dada!
- Mas ao preço de sua vida! E como o Rei ficará depois de saber disto?
- Ele entenderá.. afinal, "a vida pelo Reino", foi o que ele sempre disse..
- ... "e sem piedade contra aqueles que se opuserem à ele"... por isso que **Tinever** está assim..
- Mas **Tinever** perdeu o juízo. Tudo por culpa de levar ao extremo tudo.. e pela situação ridícula daquele dia... ele não conseguiu endenter o real sacrifício que o Rei fez pelo povo e pelas terras, e teve a idéia errada, pelos seus prórpios atos extremistas... ele enlouqueceu.
- Mas Susan... - a voz de Van baixara o tom, e se sentia o desanimo tomando conta do Cavaleiro -.. o que farei sem você? Estarei sozinho na Resistência Inteligente, não conseguirei seguir.
Com um princípio de lágrimas nos olhos, Susan se aproxima de Van e lhe pega a mao, levantando-a e a envolvendo com as suas. Olhando fixamente para os olhos dele, lhe diz:
- A vida continua, a sua vida continuará.. não pare apenas por mim. - ela se aproxima mais de seu rosto - ...e não precisa mentir sobre o Conselho, por você me amar.
Susan não conteve seu choro, Van luta para não ceder, mas um a lagrima escapa em meio ao beijo, pois aquele podia ser o último daquele romance secreto. Se passasse pela mente de Tinever que sua irmã estava com Van Ivo, ele seria transformado na principal busca de Tinever. Ele não aceitaria aquilo, nunca, pois Van era jurado eterno e fiel servo do Rei, como ele um dia fora, mas descobrir que Van era mais cego que ele, isso lhe despertou um ódio mortal, pois gostava de ter alguém igual a ele por perto, e Van era idêntico a ele, sempre se sentia melhor com isto, mas agora, o odiava por se ter comparado a ele, por o terem comparado a ele, por falarem que ele seria um segundo Barão General assim como Tinever, justo, bom e leal às causas certas...
Um barulho interropeu os 2. Van sabia o que era, mas desejava não querer saber.
- Um batedor! Como eu pude ser tão burro?
- Mas como? Por quê? Este lugar está esquecido!
- E é um ótimo lugar para abrigar um número bom de pessoas para uma emboscada direta contra Tinever..
- Mas ninguém seria louco para emboscar uma legião!
- Mas as medidas estão sendo desesperadas.. e eles devem acampar por perto, o dia está terminando! Como não pensei nos batedores!? - dizia enquanto corria para a beira da sacada, onde ele pode ver o batedor correndo em direção aos brilhos metálicos e bandeiras verde e prata dos estandardes que alertava a morte e perigo eminente que se aproximava. Ainda pareciam formigas e besouros pela distancia, mas mesmo assim podia-se sentir a morte que traziam.
Van dispara para o topo do forte, procurando uma melhor visão e um bom alcance e rezando para não ser muito mais lento que o batedor e pelo tempo que teve de perder para pegar seu arco. Ao chegar novamente na sacada, avistou o batedor ainda por subir uma colina que o levaria ao fim da vida de Van e o eterno encarceramento de Susan. Armou uma flecha, inspirou fundo, se concentrou, fez uma prece rápida e o tempo se estendeu. Sua percepção se aguçou a um nível que ele podia ainda perceber um pássaro sobrevoando sua cabeça, o vento começando a vir e balançar a grama, uma folha dançando em sua frente, um alce fugindo do batedor. Ou seria da ameaça que caía sobre aquela área? O olhar frio e calculista sobre aquele ponto? Podía-se sentir a intenção do disparo, algo como uma névoa fria onde o batedor ia passando, ou como em um dia bastante frio, um feiche de luz que se ve, se sente.. pelas costas do batedor, o Forte com dois seres pernamecia o mesmo, mas então, algo sai de lá, um vulto, um risco, algo que não se ve mas sabe, e então, o batedor tem uma dúvida, tem algo estranho, alguns milésimos de segundo e não tem mais nada. Van solta a respiração e o tempo volta a fluir normalmente. Ve o corpo do batedor despencar no chão antes de atingir o topo da colina, onde o pelotão o veria e tudo estaria perdido. Então, ele e Susan começam a agir, após uma breve troca de olhares entre os dois e o fim de tudo.
- Você retorna rapidamente para a Torre e não saia de lá ate que e eu lhe envie uma carta. Não discutirei mais sua decisão, mas exatamente agora, acho que conseguimos algum tempo, por mínimo que seja. Esse batedor irá os fazer avançar com cautela, isso reduz um pouco seu passo.
- Está bem.. irei tomar a rota sudoeste, cortarei um atalho pela Floresta Azul e chegarei na Torre em algumas horas.. Van, antes de seguir.. nos veremos uma ultima vez?
Ambos param a correria perto da passagem dos fundos. O medo retorna ao coração dos dois.. um ultimo encontro seria bom, mas a idéia de ser ultimo trazia novamente a sensação fria e ruim que ambos estavam tendo des do inicio daquela conversa.. o medo do fim.
Van a toma nos braços e a beija mais uma vez.. sabía que esta união era impossivel após a loucura do irmão, mas não importava. Eram bons em serem secretos.. algo assim, nem mesmo os Membros sabiam, pois poderia acontecer como aconteceu com o Conselho.. seriam entregues.. e ele caçado em primeiro plano. Mesmo mais caçado do que a cabeça do Rei. Tinever iria o odiar mais do que o pior de todos os inimigos que ele sequer cruzou o caminho.. isto seria como ser caçado por um demonio incançável e sua horda infernal de cães e lacaios loucos pela sua alma. Isto seria... isto seria... perfeito? Sim! Exatamente! Van consegue por uma linha em seus pensamentos e vê o que acabara de ganhar! Ganhara tempo! E Susan... Susan não teria de se sacrificar! Ele a manteria preza, mas ainda estaria viva, e Tinever sendo derrotado, ela seria liberta!
-.. abençoado batedor que clareou minha mente! - disse Van em voz baixa.
- O que disse Van? Disse algo? - disse Susan estranhando o pequeno sorrizo que aparecera na face dele. - Me pareceu que sim...
- Não foi nada.. apenas me ocorreu algo, tenho de correr para esconder o corpo do batedor.. você pegue seu cavalo e vá mais rápido do que consegue, e não saia da Torre até minha carta chegar!
De frente ao cavalo de Susan, Van a olhou gentilmente dentro de seus olhos, como se tentasse ver sua alma e a beijou uma outra vez. Mas desta vez Susan percebeu algo diferente.. algo mais intenso, algo mais profundo, algo mais forte.. algo como 'último'. Van saiu em disparada a deixando pensativa sem conseguir falar com ele.. ela sabia de algo, mas não sabia o que. Ele sabia que a dissera, sem precisar das palavras para isso, mas sabia que ela não entenderia até a hora certa, ou ao menos até que não o pudesse impedir. Então, ela montou e saiu em disparada em seu cavalo em direção à Floresta Azul, com a mente trabalhando naquela última "conversa" sobre 'último'. E ele saiu do Forte em direção ao topo da colina, para se juntar ao corpo do batedor e começar a salvar a vida de sua amada... e por fim na sua.
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