domingo, 29 de janeiro de 2012

Noites a fim. / outro projeto que anseia o prosseguimento [fragmentos]

 - nove e quarenta e cinco, já se passaram quinze minutos de atraso! Realmente o céu está caindo lá fora!.. deuses, este temporal não me deixa enchergar nem um palmo atravéz das janelas..
 Um raio/trovão corta a escuridão lá de fora, iluminando com seu clarão quase todo o corredor do hospital. Richard anda a passos largos e apressados procurando as chaves em seus bolsos, passando pelas outras portas dos quartos que estavam os outros pacientes, mas nenhum ali lhe interessava tanto quanto aquele no final do corredor. Em algumas portas os pacientes olhavam ansiosos pelas vizeras onde são vigiados. Nas janelas acima a chuva castigava o vidro, enchendo o corredor com sua ensurdecedora metralhadora sonóra. mas nem isto o distrai de sua obcesão, o paciente misterioso. No fim do corredor, um estalo desemperra a porta dupla rústica de ferro, a "ala proibida", mas que ele estava completamete viciado.
 - Dez para as dez!! Estou vinte minutos atrasado e peço sinceras desculpas meu caro.. deixe-me apenas terminar de fechar essas portas e logo iniciaremos! - diz Richard entrando na sala se esgueirando pela pequena brecha que ele abriu, ele sabia que o paciente não gostava muito da
luz, sendo ela artificial ou não.
 - nao precisa de desculpas doutor, afinal de contas, eu tenho tooodo tempo que precisarmos.. e duvido que seja suficiente para te saciar.. hahahaha. Mas.. feche logo esta porta.
 Obedecendo esta ultima ordem (ao menos foi o que ele sentiu ser no tom da voz que vinha do escuro), ele empurrou a porta que rangeu ate se ouvir um clique metálico que ecoou na sala, a acústica ali era diferente, a chuva não impedia de se ouvir quase nada. O que era estranho, pois aquela era a pior sala pelo que Richard se lembrava.
 Com o mínimo de luz possivel, que passa pelas fendas da porta, Richard vai ate sua poltrona perto do divan que tem sido o local de entorpecimento de sua pior droga ultimamente, como sua heorína. Em passos pequenos, Richard se concentra e espera a voz do paciente misterioso, mas apenas seus risos abafados eram ouvidos alem do baixo castigo gotilhado e dos longinquos relampagos/raios que inundavam a noite fora dalí, realmente era estranho aquele aposento, Richard percebera só agora, mesmo depois de muito tempo o visitando, parecia que ele não estava mais no hospital.
 Ao começar a se sentar em seu lugar, um raio iluminou sinistrametne a sala. O divã, sempre inclinado de costas para a poltrona, brilhou fortemente duas vezes em sua visão, um pouco confusa pois seus olhos estavam se acostumando com a escuridão do local. Richard poderia jurar que vira mais pessoas no lugar, pareciam fantasmas: um ser encurvado de cabelos grandes jogados no rosto em um canto, uma criança agachada abraçando os joelhos em um outro, um vulto muito estranho ao seu lado e que não conseguira distinguir, pois ficara himpinotizado e assustado com o que lhe encarava debruçado no divã à sua frente, com um sorrizo satânico no rosto pintado macabramente. Era como um palhaço infernal, um bobo-de-corte satânico, com roupas de coloração sombria. Seu gorro possuía alguns buracos por onde seus cabelos desgrenhados saíam em tufos ralos, seu sorrizo era medonho aparentando ter mais dentes do que o normal, e eram pontiagudos, como uma armadilha-de-urso/serra branca. É incrível como a mente capta coisas macabras tão rapidamente.. e como pode pregar peças quando se está "na fissura", e no escuro.
 Por alguns milésimos de segundo, Richard digeriu essa cena horripilante e por susto deu um salto de sua poltrona, deixando escapar um pequeno e rapido grito de desespero, mas se contendo pois as figuras haviam desaparecido logo no clarão seguinte... e logo a voz veio do divã à frente, num tom perceptível, mas não explicito, de deboche, iniciando o tão esperado diálogo:
 - Doutor? Se assustou com alguma coisa?
 - Na.. não, foi apenas imaginação minha, o escuro ainda me prega peças... ainda mais com uma chuva dessas. Bem, vamos começar então?
 - heeheeheeee.. bom, o que o senhor quer saber desta vez? ou devo simplesmente vomitar palavras que me forem vindo em mente, como de costume? heeheeheeheeee...
 'Ainda sinto calafrios quando ouço essa risada medonha... o tipo de riso que facilmente se detecta uma má e terrível intenção, misturado com um prazer sádico e fatisfação, provavelmente proporcionado pelo fato de Nathan saber que sempre estremeço ao ouvi-la. Ela instiga uma sensação ruim.. um frio que começa em minha mente, depois desce em direção ao estomago e termina por subir pela coluna.. gera uma agonia e uma breve contorção, quase impossiveis de resistir, para dispersar esse sentimento.'
 - Bom, vamos retomar o final do último caso, seria mais prático, você disse não se simpatizar muito com animais, mas o que mais me intrigou foi que você diz não suportar morcegos, confesso que fiquei deveras curioso pois, afinal, achei que detestaria lobos mais do que tudo.
 - Meu caro doutor.. meu rescente amigo Richard.. pare e pense.. é tão óbvio! Ratos de asas!
 - Como?
 - Eles são isso, ratos alados, esses morcegos... coisas de focinho de porco, orelhas gigantes, cegos, e ainda por cima que guincham!! Os lobos pelo contrário, são criaturas até esbeltas, que instigam selvageria.. o que um morcego instiga? Pena? Ponha-se em meu lugar e pense um pouco.. mas eu prefiro os ursos, principalmente os pandas, com aquela cara lembrando uma pintura de palhaço monocromático.. um mímico! Ah! Eles sim são cômicos, e também pelo seu jeito de agir, eu consigo dar risadas deles. Mas não gosto tanto assim, pois os desta raça também são bem nervosinhos.. acho que nenhum animal em sã conciência gostaria de mim, então, não gosto deles, por recíproco afétuo.
 - Certo, por esta visão, até eu consigo entender sua aversão à morcegos.. mas pense, eles ainda sugam sangue, não seria isso maléfico?
 - Um pernilongo também e nem por isso você se admira ou amedronta quando um pousa em seu braço. Talvez os da dengue, mas o susto é por precaução, e não terror... isso se houver algum susto.
 'Não pude conter a risada, a comparação com pernilongos realmente fora um tanto inesperada de minha parte, provavelmente até mesmo da dele próprio, uma vez que acho ele nunca pensar para falar.'
 - Há alguém a espreita!!
 - Perdão, Nathan?
 - Você não sabe quando a luz da água é mais bela do que incerta, frontier? Mon dieur!! Sacrilégio!! Seu blásfemo!! Morra, e não volte a me ligar denovo seu créspulo!
 - Mais um de suas crises, vou ter de aguardar.. mas sinceramente, está foi a pior até agora..
 Uma pausa de segundos, que pareceram horas, e logo depois eu podia sentir que Nathan estava me olhando, me observando com aqueles seus olhos certamente aterrorizantes, com o brihlo dos sádicos e a frieza de assassinos, olhos belos mas terrivelmente perigosos. Pensei em dizer algo mas estava congelado novamente, e Nathan se encarregou de quebrar o maldito silencio:
 - O gravador, doutor.. você nem ao menos se preocupou em voltar a fita desta vez... será que está tão compenetrado na história assim? Cuidado.. todo vício é perigoso!
 'Ele tinha razão! Droga, tinha me esquecido de ligar o gravador para continuar os registros, e sempre que ele tinha suas crises em falar outra língua ou perder a noção de tudo completamente, eu editava e retomava o ponto para não perer espaço nem tempo.. afinal, já havia analizado outras destas suas loucuras, e sinceramente, não havia encontrado nada ali.'
 - Me desculpe, vamos ter de recomeçar.. eu e minha cabeça. Eu e minha cabeça! Hoje estou mais disperço do que de costume, ainda mais com essa chuva toda.. espero que Caroline esteja bem...
 - Sim camarada, elas estão... elas estão.. Caroline e Josephine estão perfeitamente bem. E você sabe disto.. e como um bônus, tome, tomei liberdade de ligar o gravador, sabia que você esqueceria novamente...
 - Mas.. como? Eles estava em meu bolso, tenho cert...
 - Não apeguemos a detalhes doutor, o tempo voa nessa prisão, pois nos divertimos mais e demais nela, se lembra?
 'As vezes odeio quando faz isso.. sempre certo, e sempre sabendo das coisas.. das coisas que eu penso.. é muito estranho, é como se lesse minha mente... mas isto é impossivel, todos os relatos sobre isto foram comprovados serem apenas charlatanice! Bem...'
 - Claro. Bem, divesão não, e sim um estudo sobre um ser um tanto "peculiar" eu diria, afinal não é todo dia que se encontra uma pessoa em um hospício e ela além de não negar ser louca, diz que sabe disto, diz que gosta e ainda diz saber a Verdade de tudo, por isto de ser como é. E o que intriga não é isto tudo, e sim, a determinação e veracidade em suas palavras ao falar isso!
 - Obrigado pelos elogios doutor, heeheeeheeee... acho que foi a primeira vez que fui tão bem falado assim em todo esse meu tempo de vida. Ou seria melhor dizer, "existencia"? - uma pausa em que ninguem diz nada, alguns segundos - .bem sem delongas, estou farto de falar sobre animais e seus sentimentos amorosos por minha prezença, vamos falar de algo mais... divertido!?
 - E o que teria em mente?
 - Bom... que tal alguns combates? Brigas sempre são um bom entreterimento! E tenho algumas em particular queseriam bem interessantes.
 - Não sei.. bem, comece a falar, provavelmente você vai conseguir me prender, como sempre consegue fazer com suas histórias.
 - Não doutor.. relatos.
 - Perdão?
 - Relatos, e não histórias... prefiro esse termo para a verdade.

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