sexta-feira, 30 de março de 2012

..mais uma fantasia do romantismo que eu queria que fosse. [fragmentos]

...já são quinze paras quatro, não tem como voltar atrás agora. Cada um já fez sua parte e está em seu caminho, se eu fosse desistir deveria ter feito a pelo menos uma hora, uma hora e meia atrás.
Mas eu iria desistir? Creio que não.
Ao avistá-la abro um sorrizo e quase não consigo me conter, mas olho para alguma coisa aleatória e me ponho a ir em sua direção, torcendo para que me visse antes de passar por ela. E por sorte (não tanta, não tenho um corpo muito 'discreto') ela acena, mas finjo estar concentrado em algo e aproveitando os fones de ouvido a ignoro. Então ela fica na linha da minha visão, acena mais forte e grita meu nome. Meio relutante e parecendo que não ouvi ou a vi, retiro um dos fones devagar com cara de quem está procurando algo e foco meu olhar nela, abrindo o semblante como se realmente a tivesse vendo apenas agora.

- Uai, que você ta fazendo por aqui?
- Eu vim encontrar o William, ele me mandou uma mensagem pedindo pra encontrar com ele ali perto da praça de alimentação. E você, passeando?
- Não.. eu vim resolver uns assuntos. Na verdade vim resolver O assunto que ta me atrapalhando ja.
- E qual é? .. mulher né?
- Tá tão na cara assim?
- É que você sempre reclama disso, não me lembro de ter reclamado de outra coisa que tenha de ser resolvida assim, com tanta vontade.
- Bem.. então acho que vou seguir por que meio que bolei uma maneira de dar um golpe crítico na coisa.
- Como assim?
- Ah.... pensei na situação toda e creio que não tem como ela me recusar, entendeu agora jacú?
- .. esses seus termos que são complicados, por que não fala que nem gente sempre?
- Vou nem responder isso. Bom, vou andando, quando o ve o William, manda ele toma la por mim okay?
- Eu não.. credo.
- Pô.. tão beleza, té mais.

Simplesmente me viro e começo a andar. Colocando os fones olho por cima do ombro e vejo que ela só encosta em uma pilastra e fica olhando de um lado para o outro. É... hora de começar.

- Ou jacú. - chamo ela de longe e vou voltando para perto.
- Vai fica me chamando assim? Que que é?
- Pensei aqui.. você é mulher, duh, então poderia me ajudar no plano.
- Que plano?
- Ae mo deuso.... o plano que acabei de te falar.
- Ah! Com a menina la?
- É.
- E como?
- É só vir comigo e ajudar a escolher umas coisas. Quase certo que você acerte o gosto mais do que eu.
- Isso eu não tenho dúvida.
- Vai ficar tirano agora?
- Bom, e vou escolher o que?
- Chega aqui, vamos pensar nisso. - disse indo para uma das mesas da praça de alimentação.

Sentamos na ultima mesa, mais afastada de todo o fuzuê do shopping. Ainda bem que não era horario de almoço pois já estava quase chegando a hora de incher por causa do "lanche".
Conversamos por algum tempo sobre meu caso e para decidir quais presentes eu compraria, depois de algumas argumentações e zuações das sugestões, chegamos à conclusão:

- Rosas e chocolate. É infalivel e simples. Já tinha imaginado isso.
- Sei... - disse Lorena com cara de desconfiança. - então pra que pediu minha ajuda?
- Ah.. ter certeza não faz mal né?
- É.
- Agora vou comprar as parada, quer vir?
- O William deve tá chegando, acho melhor ficar por aqui.
- Êêêêê... manda mensagem pra ele, tem uma floricultura e uma loja de chocolates no primeiro piso.
- E se ele tiver chegando?
Pego o telefone e ligo pro William
- Cara, onde você tá? É o Artur sô! Ih tá longe assim ainda? Não, não... trombei com a Lorena aqui e tamo indo comprar umas coisas perto de onde você marcou com ela, qualquer coisa da um toque beleza? Falou! - colocando o celular no bolso e começando a andar, digo - Pronto, resolvido.
- Tá bom, melhor do que ficar sozinha atoa aqui mais tempo.

Descemos ate a loja de chocolates e escolhemos alguns bombons e trufas para embrulhar. Na verdade quem escolheu tudo foi Lonrena, eu sempre perguntava qual era o que ela mais gostaria de receber.
Depois da caixa pronta fomos para a floricultura fora do shopping, William havia mandado uma mensagem dizendo que atrasaria mais pois estava ajudando um amigo com uma garota.

- Outro com problemas.. vocês complicam demais, eu acho que nós somos tão fáceis de agradar...
- Flores e chocolates fazem o trabalho né? - disse sorrindo para ela. Ela também deu uma risadinha.
- Tá aprendendo hein hehe, mas é até mais fácil que isso.
- Só ter grana e ser gato né? Hahahaha!
- Isso ajuda, mas se for direto e dar a atenção que queremos, acho que é fácil ganhar uma mulher.
- Se você tá falando..

Na floricultura Lorena também escolheu todo o buque, eu era péssimo para isso e ninguem duvidava.
Tudo pronto, andamos até um parque próximo e sentamos um pouco

- Nossa.. já são dez pras seis, onde que o William se meteu?
- Ué.. essas coisas demoram. Mas ele deve tá chegando. Eu vou encontrar com a guria agora.
- Marcou com ela que horas?
- Não marquei.
- Ué e como vai encontrar?
- Por volta das seis horas aqui no parque.
- Mas se você não marcou como ela vai saber?
- Porque ela já ia estar aqui oras.
- Ãhn... e eu lá ia adivinhar isso? Bom, vai lá, boa sorte.
- É.. talvez eu precise, fui.

Me despeço, dou uma volta em uma arvore a alguns passos e volto para ela. Não entendeno nada ela, levantando do banco, ja devia estar começando a perguntar "uai esqueceu algo?" quando eu estendendo o buque e os chocolates dizendo:

- São pra você. - ela congela. - Não sabia como que eu iria resolver isso, mas já tava me machucando.. e esse plano foi a melhor maneira de conversar com você para você analizar a situação de fora, antes de pensar precipitadamente. É, é de você que eu falei tudo aquilo mais cedo.. sim, gosto demais de você e a coisa saiu de controle... e tinha de fazer algo. - sem palavras ela apenas recebia os presentes e me olhava um pouco atonita - ..não precisa falar nada agora. Talvez as coisas mudem ou sei lá como vai ser daqui pra frente.. mas esse sou eu me declarando pra você.

Lorena não tinha reação. Não esperando nada, eu apertei a ponta de seu nariz comicamente e sorri, a abracei forte e vi que ela cedia e relaxava um pouco. Ao me afastar olhei dentro dos olhos dela e disse:

- Qualquer que seja a resposta, ao menos eu estou aliviado de não ter de guardar isso por mais tempo.

Com um beijo na testa e um sorrizo me despedi, virando e não olhando para trás. Sei que ela iria pensar muito e agora seria um péssimo momento para qualquer outra jogada.
Cruzo o caminho com William e conversamos rapidamente:
- E ai Arthur, como foi?
- Eu disse.. ela tá lá, sem saber o que faz... vai la e leva ela pra casa, eu vou embora tomar uma pra aliviar essa quentura e refrescar a mente.
- Tá, mais tarde eu te ligo e me junto nessa bagaça!
- Demoro!

Então sigo para o ponto de onibus. Agora a sorte estava lançada, mas ao menos o peso não estava mais em meu peito.
E seria assim.

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