terça-feira, 20 de março de 2012

..apenas palavras. [fragmentos]

Três minutos para a meia noite, o tempo estava quase voando nessas ultimas horas.
Os acontecimentos desse dia, todos, estavam conduzindo para o meu esperado acontecer. O problema é que um medo me prende.
O medo de me relevar, de me expor.
Mas as coisas tem de mudar e eu quero essa mudança.
A bebida faz seu efeito mas infelismente em mim me deixa mais apreensivo e agressivo do que o normal, ao invez de menos inibido.
Com isso eu costumo fugir como um animal encurralado, buscando a própria sobrevivencia.
Que tolice.
As pessoas se divertem la dentro, enquanto eu fico aqui, na chuva, no frio, sozinho, com essas refleões a me assolar.
Sempre as mesmas reflexões e confusões de um estígma idiota de um rotulo que me fiz e aceitei, sabe-se lá o por que. Provavelmente para se vangloriar ou parecer diferente dos outros. Melhor.
Eu sei o que quero, sei como mudar mas essa luta interna pelo "nao ser comum" nunca me deixa. O pior que sei também que sou comum. Todos somos.
Um barulho de algo se quebrando ecoa pela varanda, acho que algum prato ou copo se estilhaçou na cozinha, mas apenas risos são ouvidos.
Penso que é hora de retornar e tentar a esboçar sono e embriaguês para mascarar essa tristeza e confusão que me domina.
Provavelmente me manterei a ingerir mais e mais bebidas, até que apague por excesso de alcool no organismo. Um desigamento forçado pelo desespero da paz.
Me levanto e espreguiço para me livrar um pouco do frio. Percebo a roupa encharcada e o problema que provavelmente vai me causar no próximo dia, mas não me importo. O que importa é o agora.
Entro e todos começam a me questionar onde estava, por que estava na chuva e que vou me adoecer. Me oferecem agasalhos, roupas secas e ate abraços para compartilhar calor humano. Nego a todos e vou par ao banheiro para tomar uma ducha quente e torcer as roupas, sei que logo estariam quentes e secas, costumo ter bastante calor em mim.
Ao sair do banho, a festa parecia rumar para seu término. As pessoas se recolhiam em pequenos grupos conversando em voz baixa e deitando em bolos de pernas e cabeças e braços entrelaçados.
Mas alguns ainda se mantinham na bebedeira e com eles que passaria o resto de tudo, afinal, lavei a embriaguês com o banho quente.
Chego la e ela estava no grupo dos remanescentes. Sinto uma adaga fria no peito e um certo receio, mas todos olham para mim, comemoram e me acolhem me dando um copo cheio, dizendo para beber rapido para empatar com eles. E é o que faço, pois assim ficaria maluco muito mais rapido e o objetivo teria sido concluído.
Copos e copos se passam e apenas eu, ela e mais um ficamos de pé, aguentando ate a última gota de tudo. Risadas imbecis e sem nexo algum acontecem e olhares começam a ser lançados, mas novamente o medo impede tudo. Travo, perco o humor e penso ser hora de me retirar.
A montanha nunca muda. A base, o seu alicerce, sempre serão quem você é e isso é imutável, não importando o quanto você tenha mudado ou conseguido disfarçar.
Então, percebendo que o outro se empenhava em ter o que eu recusava covardemente, pego a garrafa que faltava, me levanto e despeço deles, os deixando acontecer.
Mais uma vez.
Isolado novamente, vou terminando a garrafa para desmaiar quando a vejo o levando para o quarto. Vai acontecer e não serei eu.
Viro a garrafa como se fosse água e absorvo todo o alcool. Sinto cada gota invadir meu cerebro e percebo que começa a se desligar para a auto-defesa.
Pouso a bebida ao meu lado e simplesmente desmonto no tapete, seria ali minha cama. Simplesmente deixo o mundo girando e contenho o líquido, com esforço, em meu estômago.
Alguém vem e me levanta devagar, me conduz para algum lugar que não conseguia entender onde era e sinto mais conforto após algum tempo. Sinto calor e tudo começa girar mais rapido e começo a perder os sentidos.
Depois tudo é breu.
No dia seguinte, acordo em uma cama. Me sento e olho em volta e vejo um quarto bem arrumado com alguns posters de bandas boas e alguns seriados e filmes. Nunca havia estado naquele quarto. Será que estou em outra casa?

- Eu te disse que gostava de quase as mesmas coisas que você, por que da cara assustada? - disse uma voz saindo debaixo das cobertas. Vejo na abertura entre os lençóis que um par de olhos verdes me encarava. - Ressaca? OU ainda tá bebado? - eu não entendia muito o que acontecia e apenas ficava imobilizado tentando entender aquilo.
As cobertas se abriram e de la ela saiu, com apenas uma camisa masculina abotoada e amarrotada. Não podia crer no que eu estava vendo. - Que é? Com medo de mal hálito ou o gato comeu a sua lingua? Ou a gata?

O sorrizo dela me derrete e eu simplesmente me deixo cair achando que deveria ser um sonho. Mas não era.
O imutavel teria mudado? Não, eu ainda era eu e como eu era... mas nao é necessario a mudança para algo dar certo.
Se é preciso apenas que uma das partes faça algo e ambas queiram.

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