quarta-feira, 7 de março de 2012

Dois tiros.. bang bang. [fragmentos]

A calmaria da cidade deixava as coisas sempre piores nessa situação. Podem achar que é melhor não se ter distrações, mas com o silencio até um espírro ganha proporções gigantescas e atrapalham mais que um alvoroço de feira.
A rua deserta empoierada aguarda-nos sedenta por sangue novo.. parece um demônio que ludibria suas vitmas para sua garganta voráz por almas estúpidas.
O relogio toca lembrando que faltam 15 minutos para alguem morrer. As badaladas ecoam estrondozamente por toda a extensão da pequena cidade, fazendo as casas tremerem e parte da areia acumulada pelo vento se desprender das fissuras das construções, cançando mais a vista do que o normal por fazer uma nevoa poeirenta que seca tudo que toca, principalmente os olhos.
Cubro com o poncho minha boca e nariz e abaixo o chapeu para tentar proteger um pouco os olhos e fico observando a rua. Sabia que ele também estava fazendo a mesma coisa, esperando esses 11 minutos passarem para se revelar e tentar nao perder a vida, assim também como eu.
Ambos somos dos melhores atiradores da vila. Quem diria que dinheiro pudesse comprar a morte de um de nós dois... ainda mais dinheiro sujo.
Ser mercenário tem suas desvantagens. Thomas aceitou o dinheiro pela minha cabeça, mas ao menos está me dando a chance de morrer como um digno atirador, a depender de minha habilidade para permanecer vivo.
As pessoas que contrataram Thomas não demonstravam nenhuma classe ou dignidade e não entenderam isso. E exatamente por isso que estão nos andares superiores do saloon e da hospedaria, afim de garantir que eu não saia vivo mesmo.. queria saber o por que de me desejarem tal desfecho... não me recordo de ter feito inimigos assim.
Mas bem, mercenários não lembram de muita coisa de seus trabalhos, ainda mais quando foram tantos quanto os meus. Na certa alguém teve algum ente querido morto, ao seu ver, injustamente, e quer vingança... mas sabe que não tem os culhoes nem a habilidade para me matar.
Decisão esperta.
Bom, 3 minutos, hora de nos arrastarmos para o ultimo local de um de nós.

Faltando 1 minuto, Thomas aparece saindo de tráz do Saloon. De certa estava me analizando a ver se não tinha algum plano de trapaça contra ele, algum atirador ou colete escondido. Mas estava claro que minha honra se mantinha intacta quando retirei o poncho e minha camisa, deixando o tronco desnudo. Fiz isso para ter mais mobilidade e ter o tato do corpo aguçado.
30 segundos, podia ouvir as engrenagens do relógio rangendo e se preparando para iniciar as badaladas finais antes dos disparos do meio dia, quando Thomas tambem se despiu da camisa afim de mostrar que não trapacearia também.

- Desnecessário Thomas, eu confio em você assim como sei que confia em mim.
- Meu camarada.. sabe que não tenho nada contra você, é apenas um trabalho certo?
- Claro.. se me pagassem o tanto que te pagaram, te mataria três vezes se pedissem.
- Ha! Zombando até em uma hora dess.. - BLAAM! - .. mas mesmo assim você nã.. - BLAAM! - sabe que não te.. - BLAAM! - Então, prepar... - BLAAM!
BLAAM!
..BLAAM!
Faltando poucos segundos olhei atentamente para as pessoas nos telhados e depois para Thomas. Ele também estava confuso sobre tantas pessoas a nos fitarem e até rirem um pouco. Um riso contido de deboche.
BLAAM!
Disperssamos nossas atenções para apenas aquelas pessoas, que começavam a se movimentar por isso, mostrando alguns olhares de inquietude e parecendo que começavam a discutir entre si.
Algo passava por minha cabeça e parecia que chegava também na cabeça de Thomas.
BLAAM!
Estranho pessoas de fora da cidade contratarem alguem daqui para dar cabo de alguem daqui.
Estranho vigiarem o serviço assim.
Estranho lembramos que o xerife estava em missão naquele dia inteiro.
Mais estranho ainda foi vermos o velho Jonnas, na porta da estalagem, olhar para nós e sorrir.
BLAAM!
Menos estranho foi perceber um brilho metálico no meio das pessoas do terraço do saloon e da estalagem.
BLAAM!
Nada estranho foi a expressão de indignação e raiva a brotar da face de Thomas quando percebia as Winchesters apontadas para ele também.
Como um raio, a clareza atravessou nossas mentes.
BLAAM!
B-BANG! B-BANG! B-BANG! B-BANG! B-BANG! B-BANG!
....BLAAM!
Satisfatório foram os seis trovões simultâneos que seguiram matando a todos nos terraços, nas janelas e deixando os dois ultimos para explodir a cabeça de Jonnas em uma pasta avermelhada.

Segui calmamente para perto de Thomas enquanto ele também vinha em minha direção, ambos recarregando as colts e lançando olhares para ver se não havia mais nenhum rato a tentar uma gracinha. Quando chegamos a uma distancia audível sem ter de falar muito alto, comecei:

- Me diz.. eles te pagaram?
- Não, disseram que depois do serviço me dariam tudo.
- Nem metade você pediu?
- Disseram que por conhecer você e ser da cidade, estavam desconfiados se não mataria eles quando tivesse a metade do dinheiro para não ficar sem nada por te deixar vivo.
- E você aceitou me matar por nada?
- Bem.. eles mostraram o dinheiro.
- Maldita seja sua estupidez Thomas! Mas abençoada é sua percepção.
- É.. quando vi que estavam prontos para atirar em mim, lembrei do xerife fora.
-.. e lembrou do banco cheio, certo?
- É.. nós éramos os únicos que conseguiriam impedir um assalto aqui.
- Sim. Você dando cabo de mim e eles te pegando sem que você esperasse, logo após o duelo. Assim eles estariam livres para tocar o inferno na vila.
- Ainda bem que o velho idiota Jonnas entregou tudo. Na certa ele que deve ter cantado a grana do banco para esses malditos ratos.
- Bem. Ao menos estamos ambos vivos. Vamos voltar a beber que o calor está infernal com essa poeira.
- Vou pegar o dinheiro deles!
- Eles te mostraram as notas em uma bolsa certo?
- Foi oras.
- E te mostraram só o que estava com cima.. né?
- Foi! Onde você quer ch..- o interrompi.
- Maldita seja sua burrice Thomas...

Nos dirigimos para o saloon para encher a cara e mais tarde treparmos com algumas meretrizes. No final da noite Thomas iria entender que não havia dinheiro algum desde o inicio. Por isso não o deixava ir buscar a tal bolsa.

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