segunda-feira, 26 de março de 2012

liberdade. [fragmentos]

..corro, acelero e corro ainda mais. Sinto o ácido exalado de meus pulmoes e corroer a musculatura de minhas coxas. Mas não paro.
Não enchergo quase nada que passa por mim, apenas deduzo o caminho e tenho sorte de não errar.
Corro mais e parece que não vou continuar, mas a cada passo e a cada impulso de meus pés ainda sim me mantenho na corrida, sem vacilar.
Parece que estou chegando em algum lugar, o ar começa a queimar minhas narinas e o cerebro começa a tomar as providencias para encerrar essa loucura. Mas eu não paro.
O suor cai em meus olhos e queima como soda caustica.. resisto e continuo. Não posso parar.
Raduzo um pouco o ritmo para desviar de algumas coisas e dar alguns saltos rapidos pelo terreno irregular e logo que chego em algo relativamente plano e direto, volto a acelerar e exigir mais e começo a ficar tonto. Mas não paro mesmo.
As árvores começam a diminuir e parece que á frente se estende a ponta de um penhasco.
Não paro. Tomo um fôlego que parece dissolver minha garganta, engulo o ar, concentro e acelero mais.
Parece que minhas pernas vão se desprender.
Parece que vou entrar em combustão.
Parece que exalo fogo.
Parece que inspiro ácido.
Parece que estou voando.
Na ponta do penhasco apenas agaicho rapidamente para um impulso e....pulo. Sem medo, sem pestanejar e sem pensar. Apenas me jogo na vastidão que se abre dos quilometros abaixo de mim até a infinidade acima. Me deixo ir. Me deixo querer ir. E me vou.
Assim que desprendo a ponta dos pés da pedra, tudo parece entrar em camera lenta. O suor não escorre, o ar se fixa em meu rosto, meus sentidos se aguçam, o sangue acaricia as veias, arterias e vazos que passa.. e tudo parece não existir. A paz extrema. A solidão e fim.
A morte?
Olhos fechados e ainda consigo ver tudo. Me ver acima de tudo. E ver acima de mim.
A visão de um pássaro. A visao de alguém ou algo da na floresta que está atrás, de alguém que está na pedra, de alguem que está abaixo da ponta e alguem que está lá embaixo. Um ponto se desprendendo de tudo.. do mundo.. e indo para o infinito.
As coisas vão começando a acelerar um pouco mas a sensação ainda é a mesma.
Plural singular existencia.. estar e não existir. Sentir.
Vazio.
Paz. A verdadeira.
Indíscutivel, extrema e única.
Abro um sorrizo em meio a isso tudo, junto com meus olhos. Lentamente os dois.
Olho adiante, além, para nada, apenas para frente, onde importa. A unica coisa que importa.
E sigo. Sem cair, sem vacilar. Apenas continuo.

Até quando eu acordar.

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