quinta-feira, 15 de março de 2012

..as sombras colossais de um desejo. (parte 2) [fragmentos]

primeiramente peço 'desculpas' a todos que leram a publicação da primeira parte deste conto, pois mudei o nome do cavalo para Visage hoje afim de pensar em criar algo diferente do que simplesmente reproduzir com palavras o jogo Shadow of the Colossus.
O nome dele é Visage agora. Ainda bem que o resto foram apenas explicações.
Bom, agora, ao texto:
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Horas intermináveis a cavalgar no Sol escaldante, finalmente avisto o que parecem ser ruínas disformes pelo vapor que sobe do chão. O calor está intenso e não tenho mais água em meu cantil. Rogo para que não fosse delírio o que estava vendo e para que ao menos exista algo para beber por lá.. se não não tenho certeza se conseguirei retornar.
Olho para cima e calculo que o dia já passara de sua terça parte, logo escureceria. Mas este logo demoraria demais e, apesar de estar quase desidratado, preciso da luz para encontrar meu alvo.
Peço pelas últimas forças de Visage para que ele passe do trote para uma cavalgada amis rápida para chegarmos á sombra ao menos para que eu possa pensar no que fazer.
Me deixei cair da montaria assim que chegamos à sombra do que parecia ser a entrada de um templo. Ali o sol não alcançava diretamente, apenas com seu reflexo no chão e nas paredes, o que fazia aquela entrada estar levemente fresca e completamente aconchegante. Ate mesmo Visage deita para resfriar um pouco seu corpo. Alguns minutos se passam e eu me recomponho, não tenho o luxo de ficar parado se quiser terminar a minha busca.
Me levanto devagar para não arriscar ficar tonto e começo a desbravar aquelas ruínas. Visage me olha como se pedisse para não ter de levantar e eu apenas sorrio e faço sinal para que fique, o animal simplesmente deita a cabeça no chão e fica a respirar fortemente para recuperar as forças. Passo a passo, sorrateiro e tentando observar tudo para que não fosse pego de surpresa por o que quer que pudesse estar alí, se houvesse algo, adentro pelo corredor examinando cada fissura que se seguia após cada coluna que passava. O local parecia a entrada de um grande templo, com dois lances de colunas que foram esculpidas aparentemente na prórpia montanha e um teto ornamentado, que o tempo cuidara para que não fosse mais apreciado. Seguindo os lances de colunas, bem a frente, estava uma abertura semelhante a uma porta, mas sem obstrução, o que parecia ser a entrada para outra ala daquele lugar. Ao chegar nesta porta, olho cuidadosamente ate conseguir ver se não havia ameça ou armadilha ali e percebo que esta outra parte que deveria ser a entrada, não o corredor que deveria ser, talvez, um vão de espera para se poder entrar no tempo. Ao começar a espiar a tal entrada solto um breve grito de surpresa alegre, que faz Visage se levantar e começar a vir em minha direção, mas logo o chamo e entro correndo pela passagem, pulando em uma fonte gigantesca de água cristalina e fresca que deveria vir de alguma mina debaixo disto tudo. Visage se contenta em beber de onde estava mas eu não deixo de banha-lo para ajudar a diminuir a temperatura, beiramos a insolação creio eu.
Depois de muito descançar, vejo que os raios de sol vão sumindo e percebo que a noite começava a tomar a parte do dia. Acho que seria melhor simplesmente acampar por até que o dia voltasse para não arriscar ser morto pela criatura que estava caçando... a luz me ajudava a saber onde era seu ponto fraco e sem ele seria quase impossivel derrotá-la. Por sorte havia caçado mais e encontrado mais frutas do que precisei na noite anterior, o que me garantiria um desjejum pela manha. Para Visage ainda restavam algum feno na mochila, a reserva para uma emergencia.
Fogueira acesa, tenta firme e lagarto no espeto, me servia de uma das frutas estranhas daquele lugar mas parecia que não possuía propriedades mágicas, apenas se assemelhava a uma maçã com um gosto que lembrava melancia e melão.
Olhando o céu noturno pela abertura do teto pensei naquilo tudo que estava passando e no que fazia Visage passar... ele me fora um presente e eu o estava maltratanto daquela forma. Mas eu precisava de uma montaria, e nenhuma melhor do que ele. Lanço um olhar de tristeza e desculpa para o animal, que parece me entender pois emite um relincho amigo e balança o rabo se aproximando.
Bato carinhosamente do lado de seu pescoço dizendo:

- A amigo.. sem você não teria feito nada... nem ao menos teria chegado aqui. Sou grato e peço perdão pelo sofrimento, tentarei recompensar quando tudo isto tiver terminado.

Ele me empurra gentilmente algumas vezes com o focinho e balança a cabeça relinchando baixo. Sei que me entende, é uma das coisas espantosas dos Cavalos Reais.
Começo a comer e observo Visage dormir. Várias coisas passam em minha mente enquanto sou hipnotizado pelas labaredas da fogueira.
Quando me dou conta, a chama está baixa e eu ja havia comido todo o lagarto. Minha mente tem sido um labirinto perigoso para se estar.. leva tempo até que eu consiga sair sempre. E cada vez mais pelo visto.
Me ajeito para começar a dormir, atiço as brasas e me deito olhando o brilho das estrelas.
Quando quase estava adormecendo, vejo um vulto negro passar por cima de mim e me sento rapidamente desembainhando a espada. Me levanto lentamente observando para ver se não via algo se mecher e, quando fico totalmente de pé, uma sombra se desprende da escuridão e vem caminhando ate mim. Um pouco amedrontado, empunho a arma preparando um ataque quando a sombra começa a falar:

- Saia tolo. Corra! Suma! Almeja o pior! Será morto! - desfiro alguns golpes inúteis pois atravessam a sombra como se não fosse nada... afinal, era uma sombra. - ..vai fazer o mal....o mal vai vencer....a ganância...crueldade...a vida não existirá.....mentiras....mentiras... - e foi se misturando com as sombras do lugar emitindo alguns sons do que seriam palavras abafadas.

Logo após isso, quando começava a baixar a guarda por ver que nada mais havia alí, o que me pareceu outra sombra pulou da parede à minha direita e pareceu entrar dentro de mim.. tentei entender ou até mesmo racíocinar, mas em vão, minha conciencia foi apagada como uma fogueira com terra.

Fui acordado por Visage me lambendo o rosto e vi que minha espada estava guardada e eu estava debaixo de minha tenda. Teria sido um sonho tudo aquilo? Talvez não, ou talvez sim... sei que sonhei novamente, talvez um segundo sonho após ter terminado aquele outro desmaiando.. lembro vagamente desse segundo. Sei que foi sobre um dos Colossus que já derrotei. Talvez tudo isso tenha a ver com eles e/ou com aquela Voz que parece estar me ajudando com isso tudo... ou com aquela outra que não consigo entender direito que fala no fundo da minha mente..
...bem, é hora de banhar e fazer o desjejum para explorar estas ruínas e ver se há outro Colossu aqui. Com esse serão cinco e pelo que me é dito, quase estou chegando na metade da minha busca.
Mas não vai fazer mal aproveitar um pouco mais esta fonte por um pouco mais de tempo.

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