domingo, 22 de abril de 2012

brincadeira velha. [fragmentos]

Com seus brinquedos no tapete o garoto organizava a linha de combate contra o inimigo malefico invisivel que teria de massacrar. A infantaria, artilharia e pelotão de choque... todos posicionados em suas respectivas filas e numeração de lugar por importancia e estrategia.
Nem passava pela cabeça do menino que aquilo era um jeito de se fazer guerra mesmo, como as coisas aconteciam ou um dia aconteceram.. ele apenas brincava.
E então teve inicio.
O avanço das primeiras tropas teve como objetivo verificar o terreno e, impiedosamente, sacrificar o que seriam peões no tabuleiro de xadrez. Várias baixas acontecem, mas o garoto não se importa, a brincadeira apenas começou e ainda tem varios outros bonecos mais fortes para fazerem o seu papel mais brilhante na historia.
Quando a tropa de choque encontra com os primeiros inimigos após cruzar todo o campo chamando a atenção, e morrendo, a verdadeira carnificina acontece. O exercito inimigo abre fogo sem compaixão contra aquele resto de homens-de-plastico que começavam a fazer pequenas baixas na sua linha de frente.
Mas o plano era quase esse. Com a atenção virada a dizimar o Choque, a artilharia começa a despejar chuva de projeteis nas primeiras e segunda guarnições que segurariam o primeiro pelotão de força do inimigo, e assim as biaxas começavam a se equiparar.
Logo estoura a batalha e todos os homens correm, cavalgam, dirigem e voam até seus oponentes e adversários e desferem golpes, tiros, insultos e bombas uns nos outros.
Não uma coisa tão desorganizada assim, mas para quem não entende direito pareceria apenas um formigueiro em pleno dia de verão com um calor de um céu sem nuvens a torrar a terra.

Mas não para aquele menino.
Ele via tudo, planejava tudo.. entendia.
E buscava aquilo.
E então, se ouve uma voz perguntando "devemos enviar os tanques senhor?"
E o garoto simplesmente concorda e olha em seu monitor.. os tanques terminariam com aquilo.
Com seus binóculos ve o campo e as explosoes e mortes um pouco distantes de sua segura sala de controle do forte... ele brincara na infancia com o que defendia no presente.
A vida seguiu e ele agora comanda homens para suas mortes enquanto tem de defender a linha estrategica das fronteiras para que sua nação não seja invadida.
E os bonecos continuam a se despedaçar no campo e ele a comandar sua vitória sob cadáveres.

E a vida.... é.

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