A vastidão se abre a minha frente após a pequena curva no caminho. Reta, nua e magnifica é a estrada que vou percorrer, parecendo infinita. O sol começa a despejar seus primeiros raios por sobre os morros à minha esquerda, a sensação completa é muito peculiar e boa.
O vento na janela balanças meus cabelos freneticamente, embaraçando e os fazendo ricochetear em meus óculos e olhos. A dor é deveras irritante com as pontas os fios como agulhas a cutucar meu globo ocular e me fazendo, as vezes, ate lacrimejar, mas tudo isso é compensado pela visão e sentido à minha frente.. o vento começa a ficar mais forte pois meu pé afunda mais no acelerador da máquina que grita o som metálico e forte de seu motor sendo exigido.. mas era para aquilo que ela tinha sido feita.. era aquilo que gostava. Era isso que eu queria.
O velocimetro começa a subir lentamente ate quase chegar a seu limite e quase parar de se mecher. O vento é quase ensurdecedor vindo das janelas abertas. O rádio do carro se quer podia ser percebido mais... o motor podia.
Uma leve descida seguida por uma leve subida podem ser facilmente sentidas parecendo que a gravidade do carro diminuia e aumentava, e o pé não se movia.
Olho para o nascer do sol, que já aparecia clamando seu posto. Imponente, indiferente, único e sublime. Antes da visão do grandioso astro, e das colinas que de la saía, uma vasta planície com pedras e algumas arvores se estendia por todo meu campo esquerdo de visão.. alguns animais como cavalos e bois podiam ser vistos nas primeiras horas do dia fazendo seu desjejum ou apenas ainda dormindo. À minha direita a planície continuava mas ia se erguendo aos céus ate chegar ao sopé de uma montanha que não se podia ver o topo. Vislumbrando isto, me ponho a pensar se alguem ja desbravara tais belezas... e então começo a pensar em todas as belezas não desbravadas sequer por mim.
A reta chegando a seu fim faz com que meu pé va se levantando aos poucos afim de não cometer um suicídio na proxima curva. Com isso a atenção vai voltando à estrada e menos à paisagem. E os pensamentos saem da filosofia e torpor de felicidades e dúvidas, e retorna apenas a concentração do que possa aparecer repentinamente à frente que se descobre instantaneamente.
Mas isso não torna a viagem mais chata. Faço isso pois dos 110km/h não reduzo.. e a adrenalina volta a bombear no peito fazendo tudo ficar mais lento e bom.
Em direção ao que me for reservado e ao destino que me dirijo.
A musica que toca no instante diz muito do que se deve fazer sempre:
"what ever you do.... don't tell anyone".
Que se danem, estou no meu momento e época... sou eu.
Ou a morte.
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