E então que você para e se depara consigo, parado, olhando no espelho.
Então que 28, e alguns meses, depois do seu nascimento, você está se encarando numa manhã de quarta feira, pós "semi feriado de jogo de copa" e pré feriado de algum dia santo qualquer.
Eis que se depara. Você.
Pensa "o quando andei pra chegar até aqui?", e então lembra de uma música sucesso da época quando lançada..
Então se olha novamente.
Pensa em tudo o que se passa e muito do que se passou.
Pensa nas decisões de se sacrificar por outros e nos atos atuais, e nem tão atuais assim, e se questiona: "vale a pena mesmo?"
Nunca vale.
Sábias palavras escutadas um dia "nenhuma boa ação vem sem punição", mas mesmo assim, está no seu ser, na sua escencia. Na sua base.
Sabe que os fortes são aqueles que aguentam e fazem por onde, mesmo sem nada em retorno. Mesmo sem ao menos uma gratidão. Sem nem reconhecimento.
Os fortes são aqueles auto-suficientes, que se levantam e sempre estão a caminhar. A ir atrás dos outros. A se mostrar disponível e sempre a ouvidos.
Que sempre vence preguiças e dificuldades para ir de encontro a alguém que precise.
São aqueles que mesmo sem, dão um jeito de compartilhar.
Que mesmo não tendo nada com o assunto, se dispõe a ajudar.
E então novamente se vê no espelho.
Olha dentro de seus olhos. Os olhos mais estranhos que são familiares mas não tem familiaridade nenhuma. Olhos que se conhece, sempre se conheceu, mas são diferentes. Sempre.
Você mesmo é um estranho para si.
Em face e em sentimento.
Mas não em espírito.
Sabe que tudo o que fez, faria de novo. Tudo o que sacrificou, repetiria.
Sabe que todo passo andado serviu para que nesses 28, e alguma coisa, anos, formassem o caráter que tem. Um caráter de pouca comparação com o resto.
Um caráter simples.
Alguém que emana algo bom.
Que é querido.
Mas enigmaticamente, esquecido. Quase sempre esquecido.
Mas forte o bastante, recaídas à parte, para simplesmente ir.
Sabe qual o real problema que aflinge e sabe o único real problema que é ser sempre pesado.
Então segue. Simplesmente aproveitando os momentos de lembrança.
Mas 28, e algumas coisas, anos depois, algo muda. O desespero faz mudar. É o melhor agente disso.
Então se sente mais cansado.
Mas cansado fisicamente, pois sentimentalmente e até espiritualmente, se está bem.
Caminha sozinho com as próprias pernas e segue.
Nega coisas que não negaria, pois agora é necessario ser primeiro.
E sente isso bom.
Se sente um pouco mais "egoísta", que sempre tanto disse que se tornaria para melhoria própria.
Mas caminha e para frente.
Traça planos de como melhorar rápido e tenta nao volta ao comodismo e à chance da virada, pois sabe que é tentador, mas não pode se dar o luxo de chances. Tem de haver certezas.
E assim vai.
Se olha novamente e sorri.
Sabe que agora o caminho é torduoso, pois demorou a trilha-lo. Mas conhece bem e sabe atalhos para as conquistas.
Agora é atravessar mais um dia, vender mais um pouco da vida, por algum tempo a baixo preço, para finalmente dar inicio a tudo que adiou em troca de comodismo e de ajudar os outros.
E assim vai. Meio em torpor. Meio vacilante. Meio desanimado.
Mas vai.
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